quarta-feira, 9 de março de 2011

Secretaria da Agricultura do PR e Embrapa buscam mais parcerias para desenvolver setor florestal

O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, recebeu na sexta-feira (04) o chefe-geral da Embrapa Florestas, com sede em Colombo, Helton Damin da Silva, para discutir estratégias e ações articuladas para o desenvolvimento florestal do Estado. Foi a primeira reunião entre a Seab e Embrapa com o objetivo de envolver diversos segmentos para execução da proposta.

Também participaram do encontro o diretor-geral da Seab, Otamir César Martins, o diretor do Deagro (Departamento de Desenvolvimento Agropecuário), Rômulo de Assis Lima, e os pesquisadores da Embrapa Floresta, Edson Tadeu Iede e Erich Schaitza, que já foi secretário executivo do Programa de Gestão Ambiental, da Secretaria da Agricultura.

De acordo com o chefe da Embrapa Florestas, a empresa já vem desenvolvendo algumas parcerias na área de pesquisas com outros Estados visando o desenvolvimento florestal. “Podemos estabelecer um programa conjunto envolvendo as Secretarias da Agricultura, do Meio Ambiente e a da Ciência e Tecnologia, além de outros segmentos - como cooperativas, universidades, associações de produtores florestais e outras instituições públicas e privadas - para mudar o quadro do setor florestal”, disse Helton Damin da Silva.

De acordo com ele, há um campo fértil para trabalhar essa ideia, e o Paraná pode sair na frente de outros Estados que também estão carentes de área florestal.

O secretário Norberto Ortigara gostou da proposta e lembrou que faz parte do Programa de Governo do Estado fortalecer o setor florestal que tem como meta aumentar a área em 800 mil hectares.

“Há carência de madeira, seja para celulose, para a indústria moveleira ou para a construção civil, e é preciso rever essa situação com urgência”, diz Ortigara. O Plano de Governo - observa - já prevê o incentivo de plantio de florestas na região noroeste e em outras áreas degradadas do Estado, envolvendo nesta missão a Emater e outras instituições. “A contribuição da Embrapa Florestas nesse momento é valiosa para dar consistência à esses projetos”, explica o secretário.

O VBP (Valor Bruto de Produção) de Florestas em 2009 foi de R$ 2,8 milhões, o que corresponde a 7,65% do VBP total do Estado.

No final do encontro ficou decidido que uma nova reunião deve acontecer ainda neste mês de março, com a participação de todo o setor produtivo florestal para a realização de um diagnóstico das necessidades, elaborar o programa de atuação conjunta e formalizar o início da parceria.

Fonte: Painel Florestal

Bom preço internacional da borracha estimula setor no Brasil


Segundo produtores e empresários da região noroeste do Estado de São Paulo, o preço da borracha nunca esteve tão atrativo. No mercado internacional, a cotação do produto valorizou mais de 60% no último ano. No campo, ganha mais quem produz o látex, a borracha no estado líquido, que tem maior valor no mercado.

Mas no Brasil a produção é baixa. A maioria dos produtores prefere um processo de extração mais simples, que resulta a borracha conhecida como coágulo. Esse é o produto que vai para o mercado de pneus. Ganha menos quem produz assim. No entanto, com o aquecimento do mercado, na verdade ninguém sai perdendo.

Se tivesse mais matéria-prima, a usina do produtor rural Jason Passos, que fica em Buritama (SP), a 500 quilômetros da Capital, não pararia um minuto só. O proprietário trabalha com a parte mais nobre da borracha: o látex, matéria-prima de produtos como luvas cirúrgicas e preservativos.

Metade do que chega à indústria dele vem de produtores da região. Mas Jason produz um pouco também. O seringal fica do lado da fábrica. De lá, extrai até 12 toneladas por ano.

– Hoje a usina trabalha com 50% da capacidade de produção por falta de matéria-prima. E tudo que a usina produz imediatamente é consumido pelas indústrias – diz Jason.

O látex parece leite quando sai da indústria. Até chegar ao aspecto final, passa por um processo químico que usa várias substâncias. Uma delas é a amônia, que evita que o látex fique sólido.

– Para o produtor, é mais compensador produzir o látex do que a borracha. O produtor de látex consegue um rendimento de 20% a 25% a mais do que a borracha – explica Jason.

A produtora Maria Teresa Soubhia é uma das fornecedoras de Jason. Ela tem oito hectares em produção e extrai até 30 toneladas de látex por ano. Na safra 2008/2009, vendia o quilo por R$ 0,90. O preço triplicou, diz ela, que consegue agora até R$ 2,70 o quilo. O negócio está tão bom que Maria Teresa já pensa até em aumentar o seringal.

– Nós temos já plantados 10 mil pés que começam a sangrar agora, e temos a intenção de plantar mais sem dúvida, porque não tem opção melhor que isto – afirma Maria.

Jason explica que, como a borracha é uma commodity, a demanda é muito maior que a oferta.

– A demanda basicamente está sendo comandada pela China. Ou seja, a China está comprando tudo o que é borracha que existe no mundo – explica Jason.

Diferente da produção extrativista de borracha como é feito tradicionalmente na Amazônia, a atividade comercial em São Paulo tem pouco mais de 40 anos. O Estado é o maior produtor do país. De lá, saem 90% da produção nacional.

Tempo

Quem entra neste mercado precisa investir e esperar. Uma seringueira leva sete anos pra produzir. O cultivo de um hectare exige pelo menos R$ 15 mil de investimento.

– O pequeno produtor pode plantar se tiver incentivo de financiamento. Ele pode plantar em dois alqueires e viver daquilo na sua terrinha. Ou você pode plantar muito. Eu acho maravilhoso. Fixa o homem no campo, gera emprego. É claro que pequenos precisam de financiamento. E esse é o lado em que a gente está esperando um respaldo – conclui Teresa.

A produção de borracha brasileira, tanto a beneficiada como o látex quanto na forma de coágulo, é insuficiente para a demanda de consumo. Dois terços do que usamos são importados. Principalmente da Malásia, um dos países que mais produz no mundo. Além da Malásia, Tailândia e Indonésia concentram 90% da produção mundial de borracha.

Fonte: Remade

quinta-feira, 3 de março de 2011

Klabin implanta novo sistema de controle em Santa Catarina


Por Candia Lemos

A Klabin, produtora de papéis e cartões para embalagens, embalagens de papelão ondulado e sacos industriais do País, vai dar início em março à primeira fase de implantação de uma plataforma única do sistema de controle distribuído em sua unidade de Correia Pinto, em Santa Catarina. A implantação deve ser finalizada em novembro deste ano e será realizada pela Metso.

A medida visa garantir o processo de produção da celulose por meio de um inovador sistema de controle e segurança digital (DCS), desenvolvido pela Metso. As áreas de cozimento, máquina de papel e linha de recuperação, por exemplo, já eram operadas por um SDCD metsoDNA, mas não estavam integradas, o que será possível com a nova plataforma. Já os sistemas das áreas de Utilidades e linha de fibra, entregues na década de 90 por outro fornecedor, estavam obsoletos e serão substituídos.

O trabalho teve início há três anos, quando a Metso realizou uma análise e rastreamento dos riscos envolvidos para a fábrica com um sistema operacional muito antigo.

Maximilian Heid Fuller, gerente nacional de vendas da Metso, explica que o diagnóstico teve a ajuda de especialistas da Finlândia, que deram suporte na fabricação de um novo sistema operacional. “Decidimos fabricar o equipamento por nossa conta, para atender imediatamente a Klabin no caso de parada do sistema atualmente instalado”, afirma.

A parceria entre as duas empresas já acontece há alguns anos. Em 1996, a Metso forneceu um sistema de controle de qualidade (QCS) e algumas malhas de controle para a máquina de papel MP16. Posteriormente, em meados de 2000, esse sistema, foi ampliado, passando de um sistema de qualidade (QCS) para um sistema de controle distribuído completo (SDCD), agora responsável pelo controle operacional da máquina MP16. Já na área do Cozimento, também no ano de 2000, foram instalados o SDCD da Metso, junto com a implantação de outros controles avançados de processo.

Em 2004, após as melhorias de processo alcançadas, também foi implantado na área de recuperação um SDCD. Esses sistemas têm melhorado de forma eficiente os processos de fabricação de celulose e papel e proporcionam um rápido retorno do investimento.

Sadi Oliveira, diretor industrial da Unidade de Papéis da Klabin, em Santa Catarina, lembra que a decisão de implantar um novo sistema de controle partiu da necessidade da companhia de desenvolver continuamente processos e qualidade dos produtos.

“Avanços recentes em tecnologia possibilitaram o desenvolvimento de novos métodos, juntamente com as medições de analisadores online. A integração da planta da unidade de Correia Pinto (SC) da Klabin tem o objetivo de obter maior eficiência, com possibilidade de conectar diversas áreas, transformando os dados disponíveis em controles e informações de valor gerencial”, afirma Oliveira.

Segundo o diretor industrial, além da atualização tecnológica, havia a necessidade de implantar sistemas de controles que permitissem a integração entre diferentes áreas operacionais. “A partir desta implantação é possível analisar e realizar estratégias, ajudando a otimizar a planta como um todo, o ritmo de produção e a linha de fibras”, diz.

Para se ajustar a operação do novo sistema todo o pessoal de operação e manutenção será treinado. “Dessa forma, será possível utilizar todas as ferramentas disponíveis para uma eficiência operacional”, afirma Sadi Oliveira.


Fonte: Celulose Online

Há terras disponíveis para ampliar a produção sem aumentar o desmatamento

Trabalhos científicos contestam premissas de relatório de Aldo Rebelo sobre Código Florestal e mostram que área agrícola poderia dobrar com adoção de tecnologias simples e sem a abertura de novas áreas.

Estudo ainda inédito de pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) confirma que existem terras suficientes no Brasil para multiplicar a produção agropecuária sem que seja necessário expandir o desmatamento. De acordo com o trabalho, o aumento da produtividade da pecuária permitiria diminuir a área de pastagens e liberaria até 69 milhões de hectares para a agricultura, diminuindo a demanda pela abertura de novas áreas.

Os 69 milhões de hectares equivalem aos territórios somados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Usar todas essas terras significaria dobrar a área agrícola brasileira.

Coordenado pelo pesquisador Gerd Sparovek, o trabalho defende que a adoção de tecnologias simples já difundidas no País, como a divisão e rotação de pastos, possibilitaria ampliar a lotação média das fazendas de gado, considerada muito baixa no Brasil, de pouco mais de uma cabeça por hectare para quase duas. Assim, seriam liberadas áreas para a agricultura.

"Toda a discussão sobre as mudanças do Código Florestal deveria passar pela rediscussão da pecuária extensiva no Brasil", afirmou Sparovek durante seminário, na terça-feira passada (22/2), onde foi apresentado o levantamento, que deve ser publicado neste mês. No evento, realizado na Câmara dos Deputados para discutir as mudanças no código, Sparoveck revelou que existiriam 103 milhões de hectares com vegetação nativa disponíveis para desmatamento regular de acordo com a lei atual - território maior que o Mato Grosso. O pesquisador disse que a mudança proposta para a legislação precisa incluir, além da sua aplicabilidade, o debate sobre como proteger as terras ainda disponíveis para desmate legal.

A pesquisa não trata de situações regionais e casos específicos, mas reforça a tese de que programas de grande escala de planejamento territorial, assistência técnica e incentivo à regularização ambiental podem manter o ritmo de crescimento da agropecuária sem a necessidade de ampliar a fronteira agrícola. O desafio seria conciliar a alocação de terras para a produção agropecuária, exploração florestal e conservação.

Informações do Censo Agropecuário 2006 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o último realizado no País, apontam que um quinto do território nacional (ou 158 milhões de hectares) é ocupado por pastagens. Deste total, quase 20% estão em terras de alta ou média aptidão para lavouras, segundo Sparovek.

Para os pesquisadores da Esalq, a intensificação da pecuária seria suficiente para manter o rebanho nacional em patamares adequados à demanda dos mercados nacional e internacional. Traria também como consequências a produção de carne de melhor qualidade, estabilidade de preços, redução nas emissões de gases de efeito estufa e menor degradação do solo.

O estudo mostra que o polêmico relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) sobre as mudanças do Código Florestal pode desproteger definitivamente 43 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) e 42 milhões de hectares em Reservas Legais (RL) que foram desmatados ilegalmente. Assim, regularizaria a situação dos proprietários dessas áreas.

RL é a fração de toda propriedade rural que não pode ser desmatada e varia de 20% a 80%, dependendo do bioma. No bioma amazônico, esse percentual é hoje de 80%. A APP é a faixa de vegetação situada ao longo de corpos de água, no topo de morros e em encostas, que também não pode ser eliminada segundo a lei.

Estudo da SBPC e ABC

No mesmo seminário, também foram apresentados alguns dos resultados de outro estudo sobre as alterações propostas para o Código elaborado por um grupo de especialistas reunido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC). Os pesquisadores que participaram do evento rechaçaram as principais propostas contidas no relatório de Rebelo, como reduzir as APPs e anistiar quem desmatou ilegalmente (Saiba mais).

A pesquisa do grupo da SBPC e da ABC está sendo finalizada e deve ser divulgada em 15 dias. O sumário executivo já está disponível (acesse aqui). Nele, os cientistas defendem um “planejamento criterioso na ocupação agrícola, com adoção de práticas de manejo conservacionista” de forma que o “potencial de uso dos recursos naturais seja otimizado, ao mesmo tempo que sua disponibilidade seja garantida para as gerações futuras”.

Ambos os estudos põem por terra algumas das principais premissas do relatório de Rebelo, como a ideia de que a aplicação do Código Florestal atravanca o desenvolvimento agropecuário. O trabalho da SBPC e da ABC, por exemplo, lembra que o Brasil tornou-se um dos maiores exportadores agrícolas do mundo com base em grandes saltos de produtividade e na conversão de pastagens em cultivos – e não na ampliação da fronteira agrícola. Entre 1975 e 2010, enquanto a área plantada aumentou mais de 45%, a produção cresceu 268% no Brasil. A produtividade média mais que dobrou, passando de 1.258 kg/ha, em 1977, para 3.000 kg/ha, em 2010.

A pesquisa aponta que ainda existe bom potencial para intensificação do uso do solo, mesmo em regiões onde o seu grau é considerado acima da média nacional, como no Centro-oeste, Sudeste e no Sul. Projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) indicam que, entre 2010 e 2020, a taxa anual média de crescimento da produção das lavouras será de 2,67%, enquanto a área plantada subirá apenas 0,45% ao ano, passando de 60 milhões de hectares para 69,7 milhões de hectares.

Fonte: ISA - Instituto Socioambiental

Agricultores de PE produzem a própria lenha

Câmara de Negociação analisará mudanças no Código Florestal

Marcelo Castelli assume presidência da Fibria em julho


A Fibria anunciou, nessa quarta-feira (2), uma troca na presidência da fabricante de papel e celulose a partir de 1 de julho. Carlos Aguiar, que preside a empresa desde sua criação, em setembro de 2009, passará o cargo para o executivo Marcelo Strufaldi Castelli, que atualmente é diretor de operações florestais, suprimentos, papel e estratégia.

Após completar a transição de seu cargo, Carlos Aguiar assumirá uma posição no conselho de administração da companhia a partir de 2012.

Fonte: Valor – Adaptado por Painel Florestal